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Em 1995, a África do Sul viveu um momento mágico no esporte. O país superou todos os prognósticos e conquistou a Copa do Mundo de Rugby disputada no país. Foi uma daquelas enormes zebras. Carlos Alberto Parreira sonha ser um dos protagonistas de algo parecido este ano. O país africano está longe de ser uma potência no futebol mundial. Só disputou duas Copas do Mundo - 1998 e 2002 - e nunca passou da primeira fase da competição. Está apenas em 81º no ranking da Fifa. Mas o treinador brasileiro acredita que é possível um "novo milagre".
Parreira veio com 29 jogadores sul-africanos buscar inspiração no Brasil. A delegação fica até o dia 21 na Granja Comary, em Teresópolis. Depois segue para São Paulo para mais duas semanas de treinos entre 22 de março e 7 de abril. Neste período, a África do Sul vai fazer uma série de amistosos. Enfrenta o Cruzeiro, o Volta Redonda, o Fluminense, o Botafogo, o Palmeiras, o Santos e até a seleção do Paraguai. O treinador quer que a proximidade com os brasileiros faça os sul-africanos ganharem um pouco do estilo pentacampeão.
- A ideia de trazê-los para cá é porque aqui é o berço do futebol mundial. E que isso sirva de motivação para o nosso time. O futebol sul-africano não tem um estilo definido. Mas eles se parecem muito com os brasileiros. Quero vê-los colocando a bola no chão e jogando com habilidade como os brasileiros - disse o treinador.
Carlos Alberto Parreira garante que a pressão em cima do seu trabalho no país-sede da Copa de 2010 é enorme. Por isso, foi bom também sair um pouco da África do Sul. Dos jogadores chamados pelo treinador para esta primeira fase de treinos, só nove disputaram a última Copa das Confederações. Quatro são titulares do time - o goleiro Khune, os meias Modise e Tshabalala e o atacante Mphela.
- Dirigir o dono da casa só aumenta a pressão. A cobrança lá na África do Sul é tão grande quanto aqui no Brasil. O torcedor não quer saber se o time está bem no ranking da Fifa, se tem os melhores jogadores. Eles só encontram comigo nas ruas e falam: 'Coach (técnico), a taça tem que ficar aqui, ela não pode ir embora'. E eu respondo (risos): 'Eu também quero isso'.
Assim como 1995, o sucesso na Copa do Mundo também tem um lado político. Na época, Nelson Mandela tinha acabado de assumir a presidência após o fim do apartheid e viu no esporte a gente de unir o país. Deu certo. A história é retratada no filme Invictus, que está nos cinemas. Agora, a África do Sul tenta superar a crise econômica e evoluir socialmente. O país enfrenta protestos da população contra as condições de vida nas principais cidades.
A missão de Parreira é uma das mais difíceis. A África do Sul está em um dos grupos mais complicados da Copa do Mundo. A estreia é no dia 11 de junho contra o México. E depois ainda enfrenta a França e o Uruguai.
- A pressão a gente sente, está no ar, em todos os momentos, em todos os lugares. O presidente fala sobre isso, os ministros também, todos.
Agora acho que a gente tem que fazer o melhor possível. O nosso grupo é um dos mais difíceis. O Uruguai tem tradição, a França é uma grande seleção apesar de não passar por um grande momento.
Andando pelas ruas de Joanesburgo, onde mora, Parreira sente também o desejo da população pelo sucesso do país na Copa do Mundo. O futebol é o esporte adorado pela população negra.
- É evidente que o povo da África do Sul quer que a seleção passe para a próxima fase. Eu também. Mas o torcedor pensa com o coração. Eles me pedem para eu fazer eles sentirem orgulho da seleção.
A África do Sul não vem empolgando os torcedores por causa do fraco desempenho nos amistosos após a Copa das Confederações. Foram dez jogos, com só duas vitórias (Madagascar e Zimbabwe), três empates (Japão, Jamaica e Namibia) e cinco derrotas (Sérvia, Alemanha, Irlanda, Noruega e Islândia).
Parreira tem conseguido, pelo menos, motivar os jogadores. O treinador recebeu um pedido inusitado do zagueiro Nasief Morris, do Racing Santander, da Espanha. Por meio de uma mensagem de texto de celular, o jogador pediu para ser convocado para a Copa do Mundo. Morris está fora da seleção por causa de problemas de relacionamento com dirigentes e o antigo técnico Joel Santana. Mas segue, por enquanto, fora da lista.
- Pelo menos 15 dos 29 jogadores que estão aqui vão fazer parte do grupo da Copa do Mundo. Eu acredito que é possível fazer bonito na Copa. Vamos ter três meses de trabalhos intensos. Antes de eu deixar a África do Sul (em 2008, quando Joel Santana assumiu a seleção) ganhamos do Paraguai por 3 a 0 mostrando uma qualidade muito grande no nosso futebol. Na época, o Paraguai liderava as eliminatórias sul-americanas. É isso que quero recuperar, o toque de bola que se perdeu um pouco neste período - disse o treinador.
Fonte: GLOBOESPORTE.COM